sábado, 22 de outubro de 2016

Conto Infantil O Macaco Umbelino


Conto Infantil O Macaco Umbelino
O macaco Umbelino
António Torrado escreveu e Cristina Malaquias ilustrou

Vocês conhecem a história daquele macaco que do rabo fez navalha, da navalha fez sardinha, da sardinha fez farinha, da farinha fez menina, da menina fez viola,
frum-frum-frum e foi para Angola? Claro que conhecem.
Pois o macaco mariola, que por sinal se chama Umbelino, escreveu-me há tempos, a dar notícias. E que notícias! As aventuras por que ele tem passado davam um filme. Para já, soube que não se tinha ficado por Angola.

Andou a conhecer o resto de África, não como turista, mas como macaco. Macacos é o que mais há em África, embora com viola às costas, pelo meio da selva, não seja muito frequente.
Talvez tenha sido por isso, para não dar nas vistas, que ele abandonou a música. E, ao fim de calcorrear muita terra, empregou-se, já não sei onde, como criado de mesa.
De casaca lustrosa, calças de risquinha, muito bem vincadas, meias de seda e sapatos de polimento, o macaco Umbelino era um criado de mesa impecável.
Não fosse ele tão bem mandado, que talvez ainda hoje estivesse a servir no mesmo hotel, como chefe de mesa, sabe-se lá...
Mas calculem que, um dia, ouviu um cliente, a quem acabara de entregar a conta do jantar, dizer, muito espantado com o preço:
– Este dinheiro todo por uma comida fria e sem graça, em que mal toquei. Parece impossível. Macacos me mordam se percebo isto.
O Umbelino, que era macaco e obediente, ao ouvir aquilo dos macacos me mordam, mordeu. Foi o cliente tratar-se ao hospital e foi ele posto na rua. E depois?
Depois, um dia destes, conto mais histórias do macaco Umbelino. Ele, de vez em quando, escreve-me. Tem uma letra um bocado esquisita, parecem macacos à solta, mas eu entendo-o. Aliás, devo ser o único que entende as cartas do macaco Umbelino.

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